quarta-feira, 26 de maio de 2010

CONTOS DA GUERRA NOUTRA PERSPECTIVA HISTÓRICA


ASSIM SE CONSTROI A HISTÓRIA DE UMA NAÇÃO ENTRE VÁRIOS CAMBIANTES E QUE MUITAS VEZES NOS ESQUECEMOS DE VALIDAR...
LEIAM ESTE ARTIGO MUITO INTERESSANTE PUBLICADO NO "Jornal de Angola" em Janeiro de 2010:
O fim dos mercenários na rota da Damba

TESTEMUNHO DE GARCIA CAMACHO que durante a segunda guerra de libertação nacional foi Comandante do 4º Batalhão das FAPLA
"Angola foi o primeiro Estado soberano do mundo a julgar e condenar, com pesadas penas, as actividades mercenárias. Capturados em Fevereiro de 1976, entre a Damba e Maquela do Zombo, na província do Uíje, os “soldados da fortuna”, como também são conhecidos, foram julgados em Julho de 1976 e condenados, em Luanda, pelo então Tribunal Popular Revolucionário. Entre os condenados, destaca-se o tristemente célebre cidadão grego-britânico Costas Georgio (Capitão Calan), Barcker, Meckenzie, Grillo, Mendonza e Arturo Ortega. Às portas do 34º aniversário da captura e julgamento em Angola dos primeiros “soldados da fortuna”, Jornal de Angola traz à estampa a conversa com um dos participantes directos nos combates que culminaram com a captura do capitão Calan.
Aos 61 anos, Garcia Monteiro Camacho, ex-oficial das FAPLA, tem bem presente na memória os momentos trágicos por que passou antes da captura, a 9 de Fevereiro de 1976, do grupo de mercenários que no Norte do país, coligado às forças zairenses, procurava criar uma zona tampão entre o desvio do Kusso Pete e Soba Nanga para travar o avanço das forças governamentais durante a segunda guerra de libertação nacional.
Comandante do 4º Batalhão das FAPLA, assessorado pelo comandante Veiga Bayer, de nacionalidade cubana, Garcia Camacho recorda que Calan era extremamente violento e um frio assassino.
“Para ele, a vida humana não tinha qualquer importância”, disse, contando o trágico episódio de uma jovem paralítica, morta friamente por Calan com um tiro de pistola na cabeça, por se ter recusado a dar informações sobre a presença de tropas governamentais, junto da sua aldeia, em Soba Nanga.
O antigo comandante das FAPLA conta que as forças governamentais tomaram conhecimento da presença de Calan e companheiros na região, às 17 horas do dia 9 de Fevereiro de 1976, através de um grupo de mulheres.
“Nós libertámos a Damba das forças inimigas no dia 8 de Fevereiro e no dia seguinte, quando avançávamos para Quibocolo (Maquela do Zombo), fomos alertados por um grupo de mulheres que voltava para casa, para a presença entre Kusso Pete e Soba Nanga de soldados brancos, que falavam uma língua estrangeira e que estavam a matar civis e as tropas da FNLA que se recusavam combater”, disse.
Diante dessa informação, um grupo de infantaria foi enviado para actuar a partir da retaguarda das linhas de defesa do inimigo, enquanto os mercenários avançavam com a ilusão de que as tropas governamentais eram apenas aquelas que tinham sido divisadas na sua frente de ataque. “Porque era mês de Fevereiro, com o capim bastante alto e chovia torrencialmente, a nossa penetração em dois flancos na retaguarda do inimigo foi bem sucedida”, recorda o velho comandante das FAPLA.

Meia hora depois, o comando do batalhão dá ordens para o início do ataque. As forças comandadas por Calan, atentas às forças na sua frente de ataque, foram surpreendidas com o fogo cruzado de artilharia e de infantaria dos dois lados de ataque das forças governamentais.
Ante o forte poder de fogo das forças governamentais, quando eram 18H30, Calan e companheiros não tiveram outra alternativa senão recuar. “Quando eles procuravam recuar, num Land Rover descapotável de caixa comprida munido de uma Breda com potentes holofotes, nós começámos a atirar com canhões de 75 mm e 76 mm, descomandando o inimigo, que depois foi completamente desarticulado pelas nossas tropas que se tinham colocado na retaguarda das suas linhas de defesa”, disse.
Como resultado deste ataque, disse Garcia Camacho, vários soldados inimigos são aniquilados, Georges Calan é atingido na rótula e o Land Rover destruído. Eram então 19 horas e continuava a chover torrencialmente. Mas, Calan, mesmo ferido, conseguiu fugir.
“Porque chovia torrencialmente, decidimos passar ali a noite e no dia seguinte, às seis da manhã, averiguar os resultados do combate e depois prosseguir a marcha”, disse Garcia Camacho.

O dia seguinte

Garcia Camacho conta que no dia seguinte, 10 de Fevereiro de 1976, às seis da manhã, quando percorriam o teatro dos combates, um soldado cubano alertou que estava a alguns metros sentado um homem. Era Calan ferido, que sem contemplações atirou a matar. Um outro soldado cubano que quis averiguar o que se estava a passar, também teve o mesmo destino trágico. E não foi desta, segundo o ex-oficial das FAPLA, que Calan foi apanhado. Com o capim alto, conseguiu afastar-se do local e foi esconder-se em casa de uma camponesa chamada Isabel numa aldeia próxima de Quibocolo (Maquela do Zombo). Isabel estava grávida e o seu depoimento em Tribunal foi impressionante.
O ex-oficial das FAPLA conta que as forças governamentais, no avanço para Quibocolo, ainda foram emboscadas por mercenárias no desvio entre Kusse Pete e Quibocolo.
“Desmantelamos o inimigo e quando entrámos em Quibocolo deparámo-nos com um quadro horripilante. Não quero, 34 anos depois, ressuscitar velhos fantasmas, mas é nosso dever contar a verdade dos factos para que a História possa registar. Como dizia, encontrámos em Quibocolo dezenas de mortos completamente dilacerados, entre mulheres, crianças e velhos. Alguns estavam pendurados em árvores. Era um quadro dantesco”, rememora Garcia Camacho com o cenho franzido.
Esse quadro horripilante, segundo o velho comandante, era o resultado da vingança das forças mercenárias em fuga para o então Zaire de Mobutu. Garcia Camacho conta que quatro dos mercenários julgados depois em Luanda foram feitos prisioneiros pelas populações de Quibocolo, tendo o seu batalhão feito prisioneiros outros dois, entre os quais Gregório, que era o adjunto de Calan.
“Nessa altura, Georges Calan ainda estava escondido em casa de dona Isabel, de quem até abusou sexualmente”, disse Garcia Camacho, acrescentando que foi essa camponesa que o denunciou às forças governamentais, que de seguida o aprisionaram. Pálido, Calan foi feito prisioneiro a 13 de Fevereiro de 1976 sem resistência. Camacho diz que o hoje tenente-general Guerra Pires “Guerrito”, por si enquadrado nas então FAPLA, acompanhou todas essas acções militares.
Garcia Camacho conta que teve o primeiro contacto com as forças da guerrilha em 1970, quando cumpria serviço militar no exército português em Cabinda. Diz ter contribuído, juntamente com o então alferes Saturnino, hoje general das FAA, na fuga de 15 soldados que desertaram do exército português em Cabinda, para se enquadrar na guerrilha do MPLA em Brazzaville.
“Este facto foi divulgado pelo programa de rádio Angola Combatente a partir de Brazzaville e o nosso ponto de contacto na capital do Congo era o falecido comandante de coluna Bernardo Sukahata, correligionário do Comandante Hoji ya Henda”, disse.
Garcia Camacho defende a divulgação destes e de outros factos que marcaram a História recente de Angola, enquanto muita gente que sabe dessas coisas ainda está viva.
EU TAMBÉM ACHO QUE A HISTÓRIA DEVE SER CONHECIDA POR TODOS OS CIDADÃOS, NESTE CASO ANGOLANOS, ENRIQUECENDO A NOSSA CIDADANIA, MESMO QUE EM ESPAÇOS DIFERENTES... E ONDE O BATALHÃO 3880-C-CAÇ.3535, CALCORREARAM TAMBÉM NA PROCURA DE UMA PAZ, SEM O SABER NAS CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS...

domingo, 23 de maio de 2010

ANGOLA-MAQUELA DO ZOMBO- O ANTES -1972-74 E O DEPOIS...E AGORA

NO EDIFICIO ONDE ESTÁ HASTEADA A BANDEIRA PORTUGUESA, FUNCIONAVA A D.G.S, (ANTIGA PIDE). FOI AQUI QUE ENTREGUEI OS MEUS DOCUMENTOS PARA A 1ª EMISSÃO DO MEU PASSAPORTE! TUDO GENTE "BOA"! TINHAM AINDA UM PEQUENO POSTO NO BANZA SOSSO, JUNTO COM UM DESTACAMENTO DO NOSSO BATALHÃO!


SEM QUERE DIZER MAIS NADA VEJAM COM FICOU O QUARTEL DE MAQUELA COM A GUERRA ENTRE OS MOVIMENTOS,(MPLA, FNLA, UNITA), APÓS A INDEPENDÊNCIA... UM DESBARATAR DE RECURSOS! FELIZMENTE JÁ PASSOU, É TEMPO DE OLHAR EM FRENTE E ANGOLA ESTÁ A FAZÊ-LO!











Já aqui afirmei e volto a lembrar: Não é ,(nem nunca será,) minha intenção denegrir os tempos de hoje , apenas uma visualização do que era numa época de pressões guerreiras, tal como após a independência, e assim podermos fazer uma comparação e avaliar o esforço que foi,(e está a ser) feito, quando uma politica mais sagaz e realista dos tempos da descolonização dos países Africanos se revelava irreversível... desses pecados nunca perdoarei os nossos governantes de outrora! Eis mais algumas fotos e imagens daquelas bandas...

sábado, 22 de maio de 2010

2º dia...Negage Damba, Maquela do Zombo, Ponte de Zádi.

A FOTO DE CIMA ERA O DO AQUARTELAMENTO PONTE DE ZÁDI ONDE FICAMOS! ENTRE JULHO 1973/JULHO 1974.






















ESTA FOTO É DESSE DIA DE JULHO DE 1974, FOI TIRADA POR MIM...






Saimos logo de manhã do Negage e metemo.nos á estrada que a partir de um certo ponto passou a picada em terra batida, embora em razoável estado de conservação. Fomos avançando durante o dia e paramos para almoçar já na Damba. Eram lugares com pouco para ver, e estávamos mais ansiosos de chegar ao nosso destino, primeiro Maquela do Zombo e depois Ponte de Zádi.. A meio da tarde chegamos a Maquela do Zombo, onde após uma paragem mais longa, ao fim do dia abalamos para Ponte de Zadi onde iríamos ficar mais 1 ano até Julho de 1974.







1º dia ...A HORA DA MUDANÇA PARA NORTE...MAQUELA DO ZOMBO E ARREDORES!

O Aquartelamento no interior da Base Aérea, do Negage Negage- a pista da Base Aérea.



em cima a cidade de Carmona,actual Uíge.



a cidade de Negage vista da estrada á entrada.




Como já dissse anteriormente a nossa rendição aproximava-se após termo feito 1 ano em Zemba. Mas só em Julho é que fomos substituidos pelos maçaricos e com tudo em ordem,(no meu caso tive muito cuidado com o material auto e oficina, pelo que no inventario o meu sucessor recebeu tudo em boa ordem), iniciamos a vigem de transferência e que seguiria o itinerario: Vila Viçosa,,(já no asfalto) Quitexe, (uma das cidades mais martirizadas em 61 no início da guerra), depois Carmona,(actual Uíge), seguindo depois até ao Negage,onde pernoitamos, na Base aérea que lá existia, Negage era um importante centro de controlo aéreo na logística dos nossos meios de combate, possuindo uma pista com capacidade de receber aviões de de várias capacidades.





Fizemos um "reconhecimento" nocturno aos restaurantes, para retemperar o corpo e a alma, visto que já há muitos meses que não víamos a sociedade civil...só mato! Vejam as fotos...





quarta-feira, 19 de maio de 2010

ZEMBA- IMAGENS NOS BASTIDORES DAGUERRA



Quase todos nós que por lá passamos temos um acervo destas imagens...mais ou menos iguais!
Zemba estava concluída com normalidade e eficácia! Maquela do Zombo e Ponte de Zadi esperavam-nos, lá mais a Norte junto á fronteira com o antigo Zaìre de Mobutu... depois falarei na nossa viagem até lá...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

DO OUTRO LADO DA BARRICADA... PEPETELA GUERRILHEIRO E ESCRITOR



Se nós soubéssemos que do outro lado da barricada haviam seres que pensavam e analisavam outras perspectivas sobre o conflito, seria mais uma razão para mudanças mais rápidas e inteligentes...
PEPETELA E extractos das sua obras eplavars...ontem como hoje!
NO SEU LIVRO: MAYOMBE.
Sinopse
O Mayombe tinha aceitado os golpes dos machados, que nele abriram uma clareira. Clareira invisível do alto, dos aviões que esquadrinhavam a mata, tentando localizar nela a presença dos guerrilheiros. As casas tinham sido levantadas nessa clareira e as árvores, alegremente, formaram uma abóbada de ramos e folhas para as encobrir. Os paus serviram para as paredes. O capim do tecto foi transportado de longe, de perto do Lombe. Um montículo foi lateralmente escavado e tornou-se forno para pão. Os paus mortos das paredes criaram raízes e agarraram-se à terra e as cabanas tornaram-se fortalezas. E os homens, vestidos de verde, tornaram-se verdes como as folhas e castanhos como os troncos colossais.

A GERAÇÃO DA UTOPIA
Sinopse
A Geração da Utopia é o retrato desapiedado dos angolanos a quem ficou a dever-se a epopeia das lutas pela independência e da guerra civil que logo lhe sucedeu, das glórias e das sombras que marcaram esses longos anos de permanente conflito, e do descontentamento e da indiferença que insidiosamente se tornou o estigma de tantos desses homens e mulheres que fizeram, apesar de tudo, um novo país.
Internacionalmente conhecido como uma das mais representativas figuras das letras angolanas…

O PESO DE ALGUMAS PALAVRAS.
CONFERÊNCIA DE PEPETELA, na Universidade Agostinho Neto – (EXTRACTO).
(…) No que nos diz respeito, pode a situação levar a repensar muita da teoria que está por baixo de numerosos actos de governantes e governados, embora normalmente essa teoria se tenha deixado de reconhecer publicamente: refiro-me à ideia, trazida dos tempos coloniais, de que Angola é um país rico. Mesmo se a maior parte de nós não o diz claramente, por já ter vergonha de aparentar uma presunção tão combatida pela própria realidade, pensa-o nas suas conversas secretas com o travesseiro. O convencimento voltou com a euforia dos últimos anos, ao se observar um crescimento anormal do Produto Interno Bruto, apesar de alguns gritos isolados de alerta. Porém, a ideia escondida e falsa acaba sempre por contaminar o processo de traçar planos para o país. A nossa megalomania nacional, verdadeiro traço de carácter, ou, segundo o vetusto Kardiner, um marcador da nossa personalidade de base, provém de julgarmos o país incomensuravelmente rico. Os colonizadores, nos anos sessenta e setenta do século passado, repetiram tantas vezes esta lenda, que ela passou a fazer parte do nosso código genético, por assim dizer, e agora é difícil voltar atrás e admitir o contrário, que somos de facto e por enquanto, apesar de algumas indubitáveis vitórias, um país miserável, incapaz de alimentar suficientemente os seus filhos, incapaz até agora de matar no ovo as diferentes epidemias que nos assolam, incapaz de avançar numa clara política de desenvolvimento sustentado. Mas a crise veio para nos mostrar quanta debilidade afinal apresentamos. E ainda bem. Talvez, se nos mentalizarmos efectiva e definitivamente que país rico é aquele que pode alimentar os seus filhos e prover às suas necessidades básicas sem precisar constantemente de recorrer ao exterior, então estaremos a dar o primeiro passo para sair da situação de subdesenvolvimento em que estamos mergulhados há séculos, situação ultimamente disfarçada, mas mal, pelos arranha-céus de vidros espelhados e planos mirabolantes de viadutos esplendorosos sobre o mar (…)
POIS É, ONTEM COMO HOJE... tudo poderia ser diferente!

INTERVALO NA "GUERRA"... TRISTEZAS E ALEGRIAS!


A foto acima documenta um caso muito triste que aconteceu com um dos TECO TECO que vinham trazer-nos os alimentos frescos. Este já depois de ter descarregado a sua carga e na volta a Luanda, o piloto levava consigo dois passageiros de boleia, o nosso Padre Capelão e um Cabo especialista na análise das Águas. Só que já depois de ter levantado vôo e ao fazer a segunda passagem á pista para se despedir, e já com o segundo avião em pleno ar, o motor do pequeno avião parou súbitamente e já no fim da pista caiu em pique, capotou, e em fracções de segundos três vidas se perderam perante os nossos olhos estarrecidos com o "espectáculo"! O outro avião voltou para trás e o desespero do segundo piloto era confrangedor ao ver o que tinha sucedido com o colega e os dois militares... enfim a guerra no seu lado mau e obscuro.
E eu que tinha ido meses antes tanbém a Luanda de boleia, quando em serviço no estágio, de certo modo verifiquei que as coisas acontecem quando têm de acontecer...fiquei vacinado contra outros medos!






Ir a Luanda em serviço ou férias significava um potencial de boas surpresas para quem quisesse descobrir a cidade na sua oferta turística, nas especialidades gastronómicas, grelhados, peixe deliciosos, bem temperado, o provar as comidas tradicionais, como a moamba de peixe, marisco, carnes das melhores que tinha provado, enfim foi um fartar vilanagem, já que dinheiro, sempre tinhamos algum...
E era aqui que os meus raciocínios voltavam sempre áquele ponto de questionar o porquê da não resolução do problema militar pela negociação, atempada e podendo fazer com que o decurso da História tivesse outro desfecho! Mas estava escrito de que não seria por essa via...
Passadas as três semanas lá voltamos de novo a Zemba, já mais conhecedores da logistica da Manutenção, e com muitas saudades da capital...já estava a planear as minhas próximas férias!
Em Zemba a situação era calma, as operações faziam-se mas sem grandes "contactos" com os "combatentes" do MPLA, confirmava-se a ideia de que a solução teria de ser outra. Portanto o que tínhamos de fazer era cuidar de que pelo menos a nossa presença fosse útil para as populações,(poucas) que viviam na imediação do quartel.Já em 1973, o ano ia correndo célere e nós já íamos fazendo planos para o próximo lugar onde permaneceríamos até ao fim da comissão.
Fui dos últimos a apanhar a malária, mas lá chegou a minha vez. Febres altas, Resoquina em doses fortes, perda de apetite, só sopas, mas fiquei vacinado para o resto da Comissão!


E esse tempo chegou em Julho, quando recebemos a informação do destino do nosso Batalhão: Norte de Angola, Vila de Maquela do Zombo, onde ficaria a C.C.S, perto da fronteira com o então ZAÌRE, de Mobutu... A C.CAÇ 3535 iris para PONTE DE ZADI,um aquartelamento sem praticamente população envolvente e um rio do mesmo nome ZADI, muito importante e com uma ponte também de certa dimensão em cimento armado, na estrada em direcção ao BÈU, onde ficaria a C.CAÇ 3537. A outra C.CAÇ 3536 foi destacada para o aquartelamento "Fazenda Costa".
Havia que arrumar as coisas e esperar pelos "maçaricos" que nos vinham render e já estávamos a preparar as praxes á nossa maneira...já agora!